Crônica: A Calcinha, O Sutiã e A Depressão


Vagabundeava eu pelo, nem sempre, maravilhoso mundo virtual, quando me deparei com o anúncio de uma calcinha com enchimento na região dos glúteos, vulgarmente conhecidos pelo delicioso nome de “bunda”.



Tal anúncio prometia deixar qualquer mulher que vestisse tal calcinha, muito mais desejada, muito mais “gostosa”. A mulher compra, coloca e se sente mais "fêmea". Correto? Errado. Erradíssimo.

A mente humana é mais complexa. Quando a mulher coloca a calcinha com enchimento, um sutiã com enchimento, ou até mesmo um aplique de cabelo, uma parte dele pode estar satisfeita. Acontece que várias outras partes da sua mente vão reagir a esta mentira. O que acontece na mente desta mulher é uma guerra silenciosa. Esta guerra gera muitos problemas de saúde e sofrimento.

A mulher que compra este tipo de calcinha porque está insatisfeita com seu órgão íntimo (a bunda, ou o seio). Tem vergonha de si, provavelmente. Uma pessoa assim busca uma forma de trapacear a realidade e compra a calcinha com enchimento. Ela vive uma mentira e tem alívio momentâneo. Acha que está “abalando”. Mas dentro dela começará a manifestação de outras partes (chamadas tecnicamente de complexos). Estes complexos irão acusá-la e desqualificá-la. Porque ninguém consegue mentir a si mesmo.

No final da noite, a mulher tira a calcinha e retorna à desvalorização pessoal. Só que desta vez a insatisfação é ampliada. Ela, uma pessoa fraca que optou pela mentira, não tem saída. Agora é prisioneira da vaidade e da dificuldade em se aceitar. O resultado pode ser o surgimento de depressão, neurose e, com certeza, o aumento da já baixa auto-estima. (tecnicamente, auto-estima é a imagem que você tem de si mesmo. É a sua reputação vista por seus próprios olhos. É o que você pensa e sente sobre si mesmo).

O melhor é sermos nós mesmos. Devemos tolerar nossos limites físicos. Podemos ter muito prazer e alegria com nosso corpo, como ele é. Sem mudar nada podemos usufruir muito dele. Como ser humano, que busca melhorar sempre, devemos agregar e aumentar as qualidades nobres. A mulher ou o Homem pode, por exemplo, ser uma pessoa legal, educada, amiga, e intensa em sua capacidade de se entregar e viver intensamente. O resultado vai ser muito melhor. Você precisará de pouca coisa na vida se aprender a se valorizar e a valorizar seu corpo, o corpo que Deus lhe deu. Isto se chama respeito para consigo mesmo.

Além disso, temos que ter uma certa tolerância à frustração, isto é, é aceitar que não podemos só ouvir sins, pois existem os nãos que são pertinentes e justos. Outrossim, se a pessoa que está do teu lado, não te aceita como você, se ele exige que você seja assim, ou assado, que precisa emagrecer, ou que precisa engordar, que precisa encurtar o cabelo, ou que precisa colocar um aplique, essa pessoa não te quer, o que ela,ou ele, quer é te transformar em algo que você não é, e isso você nunca vai conseguir. Seja você mesmo (a) e não a imagem idealizada que alguém gostaria que você fosse. E seja feliz!!!!


Raimundo Salgado Freire Júnior.

Comentários

  1. PARABÉNS PELO TEXTO, RESPEITO ACIMA DE TUDO.

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  2. Muito bom, chega de seguir estereótipos buscando agradar uma sociedade alienada, o amor próprio é o que deve prevalecer! (by Concyta)

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  3. É isso aí Concyta, os "modelos sociais", as "convenções sociais" podem machucar bastante quem não respeita a si mesmo e a seus limites. Obrigado pelo comentário minha querida.

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  4. Como você relatar,devemos agregar e aumentar as qualidades nobres.São mais essenciais do que simples detalhe físico.Não me abalo,prossigo sob o céu que me protege diante das desaprovações,lembro que Deus não erra e eu sou sua criação Dele...SIMPLESMENTE:APROVO-ME,SOU LIVRE,ACEITO-ME,VALORIZO-ME,AMO-ME.
    Beijokas.... Myz

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