Crônica: A Banalização do Nú Feminino


Uma amiga minha, Mizraim, me enviou um e-mail em que relatava como o excesso de nudez tira um pouco a curiosidade dos homens pelas mulheres e como a vulgarização do nú feminino tem diminuído as mulheres em seus demais valores que deveriam ser exaltados.
Infelizmente, sou obrigado a concordar com ela. Tarefa difícil abrir um jornal, uma revista, um site e não se deparar com com mulheres nuas, peladas, abertas, desnudas... É um festival de bundas, seios, barrigas, a maioria "fotoshopadas". Hoje em dia, com os recursos tecnológico do fotoshop é possível transformar qualquer bruaca em uma deusa, qualquer canela fina em uma gostosa.
É uma desfile de seios siliconados, bundas siliconadas, apliques de cabelo, botox, cirurgias plásticas, enfim, são mulheres anti-naturais, recauchutadas, reformadas e, em muitos casos, deformadas... Quantas morreram ou ficaram inválidas nas salas de cirurgia...
A mulher brasileira está perdendo sua naturalidade, está sendo coisificada, banalizada em sua essência, desfeminilizada, bombada, musculosa, pronta pra ser usada e, naturalmente, descartada em seguida. A mulher é muito mais que isso, é muito melhor, não pode ser reduzida a uma coisa, um produto de consumo, que se deforma, se adéqua às imposições da mídia, uma mídia de consumo. Mas, mulheres não foram feitas para ser usadas, mulheres foram feitas para ser amadas.
Por favor, mulheres, não se deixem transformar em um produto, uma coisa, o que nós homens queremos são mulheres naturais, não mulheres mecanizadas, robotizadas, não queremos mulheres de laboratórios, queremos mulheres inteligentes, mulheres românticas, mulheres capazes de atrair um homem pela sua doçura, pela sua competência, pela sua capacidade de diálogo e compreensão, queremos mulheres naquilo que elas têm de melhor: sua sutileza, sua meiguice, sua incomum capacidade de amar. Precisamos de mulheres-mulheres, chega de mulheres-rótulo, queremos mulheres-conteúdo.
A mente humana é movida pela curiosidade. Uma mulher completamente nua pode ser menos interessante que uma mulher que deixa alguma parte coberta ou, propositadamente, mal coberta. Existe todo um charme, todo um suspense em saber o que há por trás, ou por baixo daquela roupa, justamente porque está escondido, maldosamente escondido... Mulheres recatadas podem ser mais interessantes, mais tesudas que uma mulher que mostra tudo facilmente, e como diz o provérbio, o que vem fácil, vai fácil...
O que excita mesmo é uma mulher que se emociona com um poema, uma mulher que gosta de gentilezas, que se surpreende quando recebe flores, que gosta de assistir a um bom filme, juntinho, com um belo vinho. O que excita é uma mulher que fica feliz com um jantar romântico, uma mulher que se delicia ao receber um simples telefonema: sinto falta do teu cheiro. Ou, ainda, com um torpedo: preciso de você... Mulheres reais, assim, com suas fraquezas, com seus poderes, com seus medos e com suas certezas é que excitam verdadeiramente um homem (com H).
Às mulheres afirmo: mais excitante que despir toda a roupa, de cara, fácil, sem mistério, é ver uma mulher se despir de seus preconceitos, de seus tabus, de seus medos. Aproveitem e dispam-se à vontade, dispam-se, sim, mas da dominação, da dependência, da alienação, dispam-se da falta de cultura, dispam-se da submissão, da subserviência, dispam-se da futilidade, não se deixem banalizar. Sejam o que quiserem, mas não deixem de ser... Mulheres (com M).
Não, não tenham inveja dessas bundudas siliconadas que tanto mostram, justamente porque não tem o que mostrar. O sorriso delas é triste. Não tenham inveja dessas mulheres coisificadas, marombadas. Semana que vem elas serão substituídas por outras, mais fúteis ainda. A elas o poeta já respondeu alhures: "Arrebita bem a bunda, vagabunda, que a bunda é tudo de bom que você tem".
Um abraço de paz e luz.

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