Crônica: Os Quatro Monstros da Alma: 1º - Solidão


O homem é um animal essencialmente social - as mulheres então, nem se fala - isto significa que precisamos interagir, precisamos estar em contato com outras pessoas, trocar experiências, aprender, ensinar, errar, consertar, compartilhar.
Desde a época das cavernas que aprendemos a importância de se viver em grupo, em sociedade. O grupo social faz você se sentir protegido, amparado, querido, necessário. Daí a importância da família, nosso primeiro grupo social. A situação oposta é a solidão, seja voluntária ou imposta a solidão pode ter graves consequências, podendo culminar em depressão.
A solidão quando voluntária, sob o controle do indivíduo, pode ser uma experiência enriquecedora. Às vezes a pessoa precisa ficar só, seja para refletir, seja para meditar, tomar decisões. Todo mundo precisa de um tempo para si mesmo. Como é gostoso ler um livro no silêncio do quarto, como é bom sentar-se em frente ao mar e pensar na vida. Como é bom rir de si mesmo quando estamos sozinhos no carro e cantamos errado uma canção. Todavia esse tipo de solidão é controlada, saudável.
O isolamento social, aquela sensação de vazio existencial, entretanto, pode causar sérios distúrbios como compulsão por comida, ansiedade, depressão, alcolismo e, em último grau, casos de esquisofrenia e até casos de suicídio. Nesta solidão, digamos, negativa, a pessoa lida com sentimentos ruins como a rejeição, o abandono, a sensação de inutilidade, desesperança, a falta de um objetivo para levantar da cama, insegurança, ressentimento. Neste caso a pessoa pode estar em meio a uma multidão e mesmo assim se sentirá profundamente só.
Ninguém é uma ilha, frase tão famosa e repetida, todavia nos dias atuais, não obstante toda a tecnologia disponível para conectar as pessoas, a solidão é cada vez mais comum. Parece um paradoxo, mas as redes sociais feitas para aproximar as pessoas criam, em muitos casos, um mundo ilusório. O indivíduo tem mais de mil "amigos" no facebook, mas não pode contar com um deles sequer para ir ao cinema, por exemplo. Se tiver um problema sério não pode contar realmente com nenhuma dessas amizades virtuais. Os seja, uma ferramenta feita para aproximar as pessoas é um retrato lúgubre da solidão que toma conta das pessoas nos dias de hoje.
Nos casos graves a pessoa que padece da solidão precisa de um acompanhamento psicológico ou até de uma terapia, inclusive com medicação para repor os níveis de dopamina e noradrelanina, substâncias cuja ausência causam a depressão. Muitos solitários compram um bicho estimação, isto é, preferem a companhia de um cão, que a companhia de um ser humano. A que ponto chegamos...
A solução? O remédio para a solidão? Existe claro, pena que não se venda nas farmácias, pena que não se vendam em comprimidos, pois teriam que ser comprimidos de amor, isso mesmo, Amor. A psicologia transpessoal prega a AMORTERAPIA. O amor como solução para os problemas da depressão, da solidão, da ansiedade, do medo (os quatro monstros da alma). Amor de pai, amor de mãe, amor de filho, amor de amigo, amor de amiga.
Precisamos cultivar a amizade-amor, construir relacionamentos duradouros, amizades verdadeiras, feitas de convivência, não amizades virtuais, ilusórias. Ajude a levantar os caídos, ofereça uma palavra de consolo, às vezes tudo o que a pessoa precisa é de um pouco de conversa, desabafar um pouco, saber que alguém se importou com ela. Ofereça um poema, ofereça um livro, ofereça um copo com água, ofereça um aperto de mão, um olhar de compreensão que seja,, doe algo de si mesmo... Seja solidário e não serás um solitário.
Já dizia o poeta: fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho.
Um abraço de paz e luz.
Raimundo Freire.

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