Poesia em Prosa: A Bela da Chuva



Tarde insólita, chuvosa, assustadora.
Tarde inverosímel, tarde antes impossível.
Chuva abençoada, beijo nervoso.
Beijo adiado, aguardado,
Beijo esperado por uma vida toda.
Beijo de desligar motor de carro.
Era uma tarde de temporal
Mas, teu beijo, me fez ver o arco-íris.
E eu pude ver todas as cores do teu corpo carente.
Sentir o teu gosto me fez viajar.
Viajar em todos os sentidos.
Viajar pelo que posso,
Viajar pelo que não devia, mas queria.
Viajar em você, em cada milímetro teu.
Dos pés a cabeça, indo e vindo.
Amor proibido? Quem sabe.
Proibido é não se deixar amar.
Proibido é não ouvir o coração disparar.
Proibido é baixar a cabeça, permanecer infeliz.
Tarde molhada, você suada.
Tarde chuvosa, você escorrendo.
Tarde inesquecível, você sorrindo.
Cinema inesperado, idéia genial.
Você muito nervosa, ansiosa.
Tomou Milk-Shake com cerveja.
Vestido novo? Prefiro o branco.
E eu me senti um Gene Kelly
No musical cantando na chuva.
Realmente, cantamos na chuva.
Cantamos a música dos amores impossíveis.
E lá vai ela, toda feliz em seu vestido branco.
E lá vai ela, toda amada, cheia de vestígios, meus.
E lá vai ela, jardim de minha primavera.
E lá vai ela, toda bela, a minha bela, a bela da chuva.




Raimundo Freire






Comentários

  1. Autorizo a reprodução desse texto, desde que citado o autor e o site.

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  2. muito lindo.......vc é maravilhoso.

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  3. Incrível, muito bonito mesmo, não tem como pensar que não aconteceu.

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