Poesia em Prosa: Andando em Nuvens



Tu és...
O parâmetro do meu incontido desejo
De degustar languidamente
O gosto das tuas carnes labiais.

E me sentir esteticamente enebriado
Em ondas bruxuleantes do teu insano prazer
É o teu cheiro demolindo impiedosamente
Minha evidente farsa de não te querer para sempre.

Me regozijo ao ver-te  locupletar-se de mim
E teu êxtase de fêmea me conduz pacificamente
Aos páramos inebriantes do gozo soberano
E me sinto pisando em nuvens, feliz
A caminho dos jardins valquirianos da cultura nórdica.

Tu és...
A que coloca em minha boca um sorriso típico, meu
Que me revela, me dá a conhecer
Pois é a minha própria alma que sorri
E quando escrevo, o faço para ti

Tu és...
A musa dos meus sonhos acordados
E quando vejo tuas brancas ancas, lisas e lindas
Provocantes a me chamar
Uma certeza se abriga em minha alma:
Minha alegria procede de ti.

Tu és...
O jardim que eu plantei em mim
A primavera que me fará companhia
Posto que me entediei de flores murchas, plastificadas,
Ressequidas por passar de mão em mão.
Decrépitas e e usadas por jardineiros igualmente solitários.

E quando, finalmente, aprendi a me amar
Descobri que te amava desde sempre, desde antes
E, fascinado, flagrei meus olhos sorrindo
Quando te viram pela primeira vez.
E todo o meu ser tomou aquela decisão:
Essa mulher será minha
Porque eu, sempre, fui seu.


Raimundo Salgado Freire Júnior.


Comentários

  1. Autorizo a reprodução do texto, desde que citado o autor e o site.

    ResponderExcluir
  2. Fui pegar um dicionário, volto já pra ler o resto. Marta!

    ResponderExcluir

Postar um comentário