Selvagemente Muda




Adoro ver-te selvagemente muda
Impossibilitada de falar, pois preenchida
Ajoelhada maliciosamente na minha frente
Sem poder falar e me deixando sem voz
Consumindo com força toda a minha força
Me arrebatando, deveras enlouquecido...
Minha chave fechou a porta da tua voz
E abriu o caminho da minha apoteose
Desesperando as minhas estruturas
Com a volúpia de um furacão insano...
Admiro como privilegiado observador
Teu olhar faminto e sedento de mim
Sinto meu corpo flutuar sob teu capricho
Tu te apoderas de cada gosto meu
O teu cheiro e teu suor jamais sairão de mim
Desnudo minha vontade de te coroar
E descortino o véu do teu sabor...
Sou como pipa soprada por tua boca
Vou às alturas e contemplo o mar
A linha do meu corpo presa em tuas mãos
Um movimento brusco e malicioso teu
E mergulho de cabeça sem medo
Mas com o coração dançando
Ao som das tuas cordas vocais...



Raimundo Salgado Freire Júnior



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